Mecânico que parou em junho
Nome não importa. Tenho uma oficina de moto no bairro do Guamá, em Belém do Pará, há oito anos. Cliente traz moto pra reparo, deixa cinquenta por cento adiantado, eu compro peça e faço serviço. Sistema simples.
De janeiro a maio de 2025 eu peguei dinheiro adiantado de três clientes e apostei em vez de comprar peça. Duas motos ficaram na oficina esperando peça que eu nunca comprei. A terceira o cliente veio buscar aos gritos, quase quebrou o meu vidro.
Meu tio é evangélico, pastor de igreja pequena. Ele soube pela minha mãe. Não veio me visitar como visita, veio pra brigar comigo mesmo. Falou muita coisa dura. Eu chorei. Ele orou comigo. Não sou crente mas naquele dia eu aceitei.
Ele agora vai na oficina toda quinta-feira só pra tomar café. Diz que é pra beber café mas eu sei que é pra ver se tô inteiro. Não jogo mais desde 12 de junho de 2025. Devo pra três clientes ainda. Um deles voltou a trazer moto porque acredita em mim. Os outros dois não.
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