Motorista de van escolar do Rio
Faço rota escolar em Copacabana, Ipanema, Leblon. Pego trinta crianças em duas turmas de manhã. Pais pagam pontualmente, ganho bem: R$ 4 mil por mês líquido.
Entre a segunda e a terceira criança tem uns dez minutos de espera. Comecei o aviator ali, no volante da van parada. Um ano depois eu tinha perdido R$ 22 mil.
Nunca joguei com criança na van. Isso pelo menos. Só na parada. Mas o cansaço do vício acumulava e no fim do dia eu tava pior pra dirigir.
Uma mãe percebeu meu olho estranho no dia da entrega. Perguntou se eu tinha bebido. Neguei. Ela ficou preocupada e me relatou pra outros pais. Vinte famílias reunidas questionando meu serviço.
Confessei tudo numa reunião. Não bebia, apostava. Sete famílias tiraram os filhos comigo. Treze ficaram, sob condição de eu entregar o smartphone durante o trabalho e mostrar recibo de terapia mensal.
Faz sete meses. As sete crianças voltaram devagar. Os pais das treze são meus fiscais e meus amigos.
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