O que o CVV me disse numa madrugada de terça
Terça, 3h47 da manhã, novembro de 2024. Liguei 188. Não vou contar o que eu ia fazer, mas o leitor entende. Todo mundo entende.
Do outro lado uma voz feminina, calma, sem pressa. Perguntou meu primeiro nome, eu falei um nome falso. Ela deve ter percebido, mas nada disse.
Falei do jogo, das dívidas, do casamento acabado, do fato de eu não achar mais motivo. Falei uma hora sem ela interromper quase nada. Ela só perguntava "o que mais?" quando eu parava.
No final ela disse: "eu não vou te dar solução hoje. Você não me ligou pra solução. Ligou pra ter alguém acordado no mesmo momento em que você não conseguia dormir. Estou acordada. Se quiser continuar falando eu fico. Se quiser desligar e ligar de novo amanhã, o número é o mesmo."
Eu chorei em silêncio, só respirava no telefone. Ela ficou. Não perguntou se eu tava bem. Ficou.
Não sei o nome dela. Nunca vou saber. Escrevo isso pra dizer: se você tá nesse ponto, 188 tem gente humana do outro lado. Não é robô. Não é sermão. É gente igual a você acordada às três da manhã por você.
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