Recomeço

Paguei o caixão do meu avô com empréstimo pra continuar apostando

Anônimo1 leituras

Meu avô morreu numa terça de maio. Eu tinha 24, morava com ele desde os 15 quando minha mãe foi trabalhar em SP. Ele me criou.

A funerária cobrou dois mil e oitocentos. Eu falei pra minha tia que ia resolver, saí do velório, peguei um consignado de três mil na hora, no aplicativo mesmo. Paguei o caixão. Restou duzentos reais. Girei os duzentos numa tigrinho da Blaze antes do enterro terminar. Zerei em quatro minutos.

No caminho pro cemitério eu já tava pensando de quem eu ia pedir mais. Meu tio Antônio deve ter percebido, sentou do meu lado e ficou me olhando. Não falou nada. Depois do enterro me deu um abraço e falou que se eu precisasse ele tava ali. Eu pedi trezentos no dia seguinte. Ele deu.

Isso foi ano passado. Não sou um cara em recuperação escrevendo pra ajudar ninguém. Ainda jogo às vezes. Escrevi isso porque queria ver escrito. Meu vô me criou e eu apostei antes dele esfriar. Se você é como eu, olha isso e pensa uns segundos.


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