Roubei o cofrinho de uma igreja
Sou católico. Cresci na Paróquia São Judas Tadeu em Salvador. Todo domingo com minha mãe até os 25 anos.
Em 2023 eu tava num aperto absurdo com dívida de bets. Devia pra três agiotas do bairro. Não pedi ajuda pra minha família por vergonha. Numa quarta-feira de novembro eu entrei na igreja no meio da tarde, quando só tinha uma senhora idosa acendendo vela. Fui até o cofrinho de doação pros pobres, forcei o cadeado com uma faca de cozinha, peguei o dinheiro. R$ 180 em moeda.
Girei tudo naquela noite. Perdi.
Um mês depois o padre falou no sermão de domingo sobre o roubo. Sabia que era alguém da comunidade. Não citou nomes mas olhou pra congregação com dor. Eu tava lá com minha mãe. Ela nunca soube.
Em 2024 eu parei de jogar, procurei ajuda. Um ano depois eu voltei na igreja com R$ 400 e coloquei numa envelope endereçado ao pároco novo. Só um bilhete: "restituição do cofrinho de novembro de 2023, com juros da culpa. Perdão." Deixei na sacristia, saí antes de ver ele abrir.
Não sei se ele contou pra alguém. A vida continuou igual pra fora. Pra dentro, respiro melhor.
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